terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ode aos mortos

Sento aqui e aprecio a passeata dos mortos, cambaleante pela avenida da Memória, sonora, insípida, inodora, ó, para sempre, quem sabe, pelo menos, não é a avenida das Saudades, aquela pela qual de fato passaremos, pessoa física, ou ainda enquanto, naquele momento, pré, já matéria em transformação, mutante, caminhante, indo, na direção do que não sabemos porque não sabemos nem antevemos.
Não é ainda a avenida da Saudade. É apenas uma visão de quem, vivo, olha que mortos vieram e fizeram, e talvez isso não faça diferença. Mozart não fará diferença no dia em que a raça humana desaparecer do planeta. É tamanho absurdo a existência que temos que nos conformar com as caixas que nos deram para por as ideias. Bom, temos uma caixa aqui para definir quem você é a sua vida toda, do berço a avenida da Saudade. Não quebre a caixa. Não estilhace o vidro. Não chore.
O inconformismo é humano, é incontido, nada que discursos políticos possam abarcar, porque o populismo nos derrotou todos, somos todos bolsa-familiados, dependendes, esperando ajuda externa de gente que não mora na filosofia. Mora na rua da Amargura, no beco do Desespero, da Desolação.
Alguém aí está vendo o sinal? Alguém que é puro o suficiente está vendo o sinal dos céus nesta desolação da desolação que possa traduzir os signos? Ou simplesmente é simples assim: se não vai sobrar nada desta empreitada humana, por que tanta complicação?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Blues Power

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Na adunca daquele rio

Na adunca daquele rio
fez-se um brejo criativo
de tão fixo o paraiso
a idéia afundou no piso

Então se fez feliz assim

Vida, ciclo, egoísmo
flores secas sem sentido
da pasmeira fez-se vida
da maneira viveu-se triste

Então se fez feliz assim

Sei que este lugar esta em mim
Mas vou porque de longe sou mais feliz

Por um triz não foi aquilo
e divide o prejuízo
Na sua fala o R é visto
O caipira inibido

Então se fez feliz assim

Em um mundo sem conflito
fica claro seu destino
Sempre carregará consigo
essa marca de nascido

Então se fez feliz assim

Sei que este lugar esta em mim
Mas vou porque de longe sou mais feliz

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tudo é vida, irmão

Tudo é parte de um todo de sem par grandeza,
Cuja alma é Deus, e cujo corpo é a Natureza;
Que por tudo se muda e em tudo é o mesmo ainda,
Grande na terra e na amplidão etérea infinda;
Refresca a nós na brisa, a nós no sol aquece,
Brilha nos astros, e nas árvores floresce
Por toda vida vive, a todo alcance alcança,
Se espalha e não se parte, opera e não se cansa,
Sopra a alma e molda a carne, esse mortal quinhão,
Pleno e perfeito, num cabelo ou coração;
Pleno e perfeito, quer num homem vil que chora,
Quer no elevado serafim que ardendo adora;
Para ele não há baixo ou alto ou grande ou miúdo;
Ele nutre, restringe, liga e iguala tudo.

Cessa! Nem à ORDEM chames mais imperfeição:
No que acusamos se acha a nossa salvação.
Vê teu limite: esta porção justa e devida
De cegueira e fraqueza a ti é concedida.
Sujeita-te... Ou nesta, ou em qualquer esfera,
Garante as bençãos todas que teu ser tolera,-
Sempre a salvo na mão do só Dispensador,
Na hora do nascimento ou na hora em que se for.
A natureza toda é uma arte ignota a ti;
Todo acaso, desígnio, que não vês aqui;
Toda discórdia, uma harmonia que ouves mal;
E todo mal parcial, o bem universal:
Malgrado o orgulho, o raciocínio pouco aberto,
Uma verdade é clara: TUDO O QUE É, É CERTO.


Alexander Pope
Ensaio sobre o homem
(Epístola I, vv. 264-294)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tempo regulamentar esgotado

Estamos nos comportando com novos ricos. Em todos estes anos de democracia, que são quase nada, parece não ter havido nenhum avanço na civilidade. Continuamos o mesmo povo mesquinho, egoísta, medíocre e mentiroso. O avanço foi só econômico; números e estatísticas. Estamos inebriados pelo produto interno bruto, pela bolha financeira, aspectos externos de desenvolvimento, mas a essência, o resultado líquido ainda está no vermelho. Se tudo isso explodisse de uma hora pra outra não sobraria nada de substancial: só escombros na ex-nova era de pujança. "Mas as mudanças culturais levam mais tempo", diria o crente progressista. Mais tempo? Quanto tempo mais temos que nos aguentar, que conviver com esta mistura rançosa de poder e corrupção, de malandragem e indolência, de ignorância e incompetência? Mais 500 anos? Mais uma eleição? Até a próxima Copa? Quanto tempo mais?

domingo, 11 de abril de 2010

domingo, 14 de março de 2010

In Vain

Nada há de ser em vão
Irmão
Com cordas e frequências
Com ventos e sonolências
Com posses e advertências
Com dentes e vivências

Nada há de ser em vão
Irmão
Sem som e experiêcia
Sem trago e pungência
Sem ganho e dependência
Sem hendrix e inteligência

Nada há de ser em vão
Irmão

Mas venha a decência
Mas seja a clemência
Mas veja a tendência
Mas se dê a influência de você

Nada há de ser em vão
Irmão
Nem pasta e ciência
Nem Cosmo e Damião
Nem tiro e demência
Nem bacia e liquidação

Nada há de ser em vão
Irmão
Por pandas e urgências
Por flores e estação
Por sexo e prudência
Por pura e intenção

Mas venha a tendência
Mas seja a influência
Mas veja a clemência
Mas se dê a decência de você

Nada há de ser em vão
Irmão
Para luz e intendência
Para onda e furacão
Para fina e luzência
Para peito e sermão

Nada há de ser em vão
Irmão
Onde sobra e diligência
Onde cinza e ilusão
Onde pessoa e aparência
Onde queira e não

Nada há de ser em vão
Irmão

Mas venha, seja, veja e se dê...
Porque o que se leva desta vida é a vida que foi levada por você!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Humor

Sempre estou de bom humor
Mesmo nos piores momentos
Mesmo quando não me aguento
Chuto a porta, mordo o cachorro
Ranjo os dentes, fico louco
Sempre conto até dez
Quando brigo no trânsito
Quero matar alguém
Grito e esperneio e buzino
Quebro tudo, passo o sinal
Sempre vejo o lado bom
Se meu time perde
No último minuto
Penso comigo, como é bonito
O esporte bretão
Meu humor é inabalável
Sou um sujeito estável
O padrão do bom-mocismo
O fino no trato
Sempre sou mui educado
Mesmo quando respondo
Ah (lê-se: Vá se catar)
Bom pra você
Não quero nem saber

quarta-feira, 3 de março de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010


sábado, 6 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Me poupe

Adílson Galdino

Já se passaram os tempos das descobertas,
Hoje nós reinventamos tudo.
Biotônico on the rocks,
Mangueira, mangueirinha,
Mãe da Guinha.
Me poupe, me poupe, me poupe.

Registros gerais,
CICs, CPFs,
Identificações federais,
Marcas e patentes,
Códigos de barra
Me poupe, me poupe, me poupe.

Comida light,
Produtos dietéticos,
Coisas naturais.
Água mineral, transgênicos,
Dolly's e Mussum.
É molis?
Me poupe, me poupe, me poupe.

Transforme tudo.
Invente, crie,
Jogue tudo no ventilador,
Deixe que o mundo saiba.
Só me poupe de seu falso pudor
Me poupe, me poupe, me poupe.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Call me the Breeze

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Frankly speaking about guitars

One of the reasons people want to become guitar players is that they think there's more to it than there
actually is. When I first started, I was very enthusiastic about the improvisational possibilities offered by
the instrument, but this has been dampened somewhat by the fact that, in order to engage in the type of
improvisational escapades that seem natural to me, I must be accompanied by a 'specialized' rhythm
section.
A soloist choosing to work in this odd style ultimately winds up as a hostage -- he can go only as far into
the 'experimental zones' as his rhythm section will allow him to go. The problem lies in the polyrhythms.
The chances of finding a drummer, a bass player and a keyboard player who can conceive of those
polyrhythms -- let alone identify them fast enough to play a complementary figure on the moment, are not
good. (The grand prize goes to Vinnie Colaiuta, the drummer for the band in 1978 and '79.)
It's hard to explain to a rhythm section during rehearsal what to do if I'm playing seventeen in the space of
fourteen (or Monday and Tuesday in the space of Wednesday). I can't specify in advance everything that
ought to happen in the accompaniment when the shit hits the fan in the middle of a solo.
Either a drummer will play steady time, in which case my line will wander all over his time, or he will
hear the polyrhythms and play inside them, implying the basic pulse for most rock drummers,
accustomed as they are to life in the petrified forest of boom-boom-BAP.
Jazz drummers can't do it either, because they tend to play flexible time. Polyrhythms are interesting only
in reference to a steady, metronomic beat (implied or actual) -- otherwise you're wallowing in rubato.
Just as in diatonic harmony, when upper partials are added to a chord, it becomes tenser, and more
demanding of a resolution -- the more the rhythm of a line rubs against the implied basic time, the
more 'statistical tension' is generated.

The Real Frank Zappa Book
by Frank Zappa
with Peter Occhiogrosso

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Paisagem da janela

Devo dizer que numa noite dessas de dezembro sentado na janela vi um estrela cadente e não esperei para pedir que um dia eu pudesse ser um guitarrista. Não duvide, essas coisas acontecem. De um jeito torto, mas acontecem. Numa linha que mira o infinito não existem extremos, então seria válido que qualquer pessoa que tivesse coragem de pegar um instrumento e tocá-lo poderia ser considerado um músico. Imagine, porém, que haja extremos e que numa ponta esteja, por exemplo, Jeff Beck. No outro extremo estou eu, medíocre entre os medíocres. Por isso, cuidado com o que você deseja, diz o ditado. Tive vários professores, nunca talento. Aprendi com eles a não desistir, não podia aprender e não podia desistir. Porque pedi àquela estrela, metaforicamente uma estrela. Na verdade, fiz um acordo com um pedaço desgarrado de matéria espacial. E ela não faz nada por você. Você tem que fazer tudo. A única coisa que acontece é que ela não te deixa desistir. Mesmo quando eu tinha vergonha de sair com o violão na rua para ter aula, eu não podia desistir. Mesmo quando não conseguia ler a partitura e achava o Bona o fim do mundo. Não há como desistir. Então segui. Aprendi a bater nas cordas e a cantar por cima. E foram-se os anos. Havia muitas promessas nesse mundo da música.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A dura rotina de quem desbrava regiões pouco conhecidas...

Durante a Expedição Langsdorff, entre 1825 e 1829, Florence se preocupou em retratar a dura rotina do grupo que desbravava regiões pouco conhecidas do Brasil, como o acampamento noturno montado nas margens do Rio Pardo, interior de São Paulo (Imagem tema do Blog).